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segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Professora Simone

       Uma grande questão para o trabalho verdadeiramente inclusivo é quando nós professores temos que decidir se a aprendizagem é um momento de memorização, de transmissão direta e simples do conhecimento ou algo contextualizado, proporcionador de aprendizagens diversas, integradas e estimulantes ao pensamento criador.
      Simone segue em suas aulas o segundo caminho e com primazia. Além de agregar ao trabalho sua sensibilidade e visão singular de mundo.

      Aprendemos a fazer pão, as transformações químicas que esta atividade acarreta, mas mais do que isto, a socializar, compartilhar e respeitar cada um com suas diferenças.
      Professoras como Simone nos fazem acreditar que a inclusão é um sonho possível de ser realizado.



Campo Multiplicativo

         Estamos sistematicamente trabalhando a multiplicação e a divisão no soroban.  Para os alunos é um grande e novo desafio, visto que a colocação dos números para o registro das operações é bem diferente que nos cálculos da adição e subtração. Outra dificuldade é a tabuada, já compreenderam o que ela significa, mas quando utililizam outras formas de fazê-la, que não seja a velha e boa memória, a mão acaba se perdendo nos eixos do instrumento de cálculo e tudo fica muito, muito demorado e, às vezes, inconclusivo.
          Existe um segredo? Sim, paciência e muito treino.


Partes de uma planta

As crianças mostraram curiosidade em conhecer melhor as plantas, devido à decoração que sobrou da “Festa da Primavera”. Perguntei se já tinham observado as poucas, mas lindas árvores presentes no pátio da escola e para minha surpresa, jamais haviam percebido que haviam plantas lá.
Às vezes, sinto que são muitas as temáticas a serem trabalhadas, tantos espaços e situações a serem vivenciados, que 4 horas semanais parecem ser insuficientes e o essencial acabe passando despercebido. Como não perceber uma árvore enorme que nos dá sombra ao brincarmos nos dias de atendimento?
Levei as crianças ao pátio, abraçamos as árvores, sentimos suas diferenças, o cheiro peculiar de cada uma e observamos os insetos que por lá passeavam. Fui explicando cada parte das plantas expostas, suas características e funções.
Todos quiseram ter a sensação de subir em um dos galhos de uma árvore e ajudei a todos a realizarem o desejo.
Na sala de aula me surpreendi com as ilustrações, lembraram de cada detalhe e escreveram aquilo que chamou mais a atenção. Para finalizar comparamos com um desenho adaptado em Thermorform.
O trabalho foi exposto para que todos pudessem contar e mostrar o que haviam produzido.


Instituto Benjamin Constant

            Já comentei a extrema importância que materiais adaptados possuem na educação do aluno cego e com baixa visão e também da escassez deste material no trabalho que realizo na EMEF Jorge Americano. Contudo, a problemática não nos levou a cruzar os braços, conseguimos passar praticamente o ano todo com muita luta e criatividade. Aliás, nunca fomos tão criativos!
            Neste mês, no entanto, recebemos uma ajuda muito especial, do Instituto Benjamin Constante - Rio de Janeiro. Tem pouco menos de um mês que solicitamos materiais em Thermoform (utilizado na produção de figuras, formas e mapas em alto-relevo.) e veio tudo que sonhávamos com este tipo de textura. O material, além de ser útil para crianças com baixa visão e cegueira, é de ótima qualidade e possui conteúdos muito variados, facilitando meu trabalho e de outros professores no cotidiano.
Os alunos adoraram os materiais, querem a todo momento utilizá-los em sala de aula, compartilhar com a escola regular em que estudam e irem pessoalmente agradecer no Rio de Janeiro o presente. Nada bobos!
Vitória utilizando material em Thermoform

domingo, 25 de setembro de 2011

Maneirismos


Reflexão

“Temos o direito de sermos iguais quando as diferenças nos inferiorizam. Temos o direito de sermos diferentes quando a igualdade nos descaracteriza.”
Boaventura Souza Santos

Baixa Visão





DESENVOLVIMENTO DA VISÃO




Inclusão

Por onde começar?
 
Conhecer o aluno em diferentes ambientes;
Verificar seu desempenho, autonomia e potencialidades;
Rede de apoio deve participar desta etapa;
Selecionar os conteúdos, verificar o que é para turma e as adaptações necessárias a este aluno;
Atentar-se ao tempo disponível para cada etapa;
Pesquisar o método adequado para aquele aluno;
Avaliar todo o processo e o desempenho do aluno;
Registrar tudo que é feito, realizações, resultados alcançados;
Organização de um portfólio;
Quadros organizativos ( conteúdo, métodos, objetivos, metodologia e avaliação).
 
 
Sugestão de leitura:
 
Grupo de alfabetização em momento de lazer
Currículo na Educação Inclusiva
Adaptações escolares
Uma necessidade na escola inclusiva
Maria de Fátima Minetto
 
 
 

Alfabetização por meio do sistema braille ou tipos comuns ampliados

                Paulo Freire (2006) nos ensina que a alfabetização transcende o ato mecânico de ler e escrever, pois deve ser dominada com o ato consciente de quem a realiza. É “entender o que se lê e escrever o que se entende. É comunicar-se graficamente”. Contudo, é senso comum que a escrita se aprende apenas na escola, ignorando as experiências trazidas pelos sujeitos e suas respectivas hipóteses. O autor ressalta, ainda, que não “há educação fora das sociedades humanas e não há homens isolados”, portanto é possível concluir que os indivíduos vivem em um mundo letrado, orientado pela escrita, através dos jornais, revistas, documentos, placas, anúncios e rótulos (Cf. FREIRE, 2006, p. 72 - 61).
         Independentemente de ter ou não uma deficiência, todos participam de uma maneira ou de outra da sociedade letrada. Todavia, pessoas com deficiência visual encontram limitações para o aprendizado da leitura e escrita em seu uso cotidiano, devido às dificuldades impostas pela sociedade e o desrespeito às peculiaridades dessa parcela da população: o sistema braille não faz parte do dia-a-dia e ainda não é reconhecido e estabelecido socialmente pela população.
         Temos como sérios problemas a restrita produção de materiais em braille, o não-acesso das pessoas a esse sistema de leitura e escrita, o desconhecimento praticamente total de professores do ensino comum, encontra-se uma questão mais séria, pois em conjunto com as problemáticas anteriores, a falácia de que o deficiente visual não é capaz de aprender e que não possui condições para fazer a leitura do mundo que o rodeia.
         A civilização é impensável sem a escrita, por isso sua grande importância social. Ler e escrever implica uma “autoformação da qual pode resultar uma postura atuante do homem sobre seu contexto” (FREIRE, 2006, p.72). Proporciona o registro, permite a comunicação, regula e controla socialmente o comportamento por meio das leis, normas e, entre outras formas, pode manifestar-se esteticamente. São práticas sociais, às quais os educandos se integram, das quais participam e com as quais reconstroem suas possibilidades cognitivas. O indivíduo deficiente faz parte do mundo letrado e por que, então, negá-lo?
         Segundo Ferreiro e Teberosky (1985 e 1997), crianças que não vivem experiências com livros e materiais escritos iniciam sua escolarização com poucos conhecimentos sobre a língua. Para as pessoas com deficiência, muito pior do que não ter acesso a portadores de textos, de ter problemas orgânicos, é o descrédito de suas potencialidades e da previsão de seu insucesso pelos pais, pela comunidade e por si mesmos.
         Como salienta Mantoan (1997), crianças com déficits são habituadas a receber nas mãos a maior parte das coisas que desejam, são privadas de experiências, geralmente excessivamente protegidas, não enfrentando desafios, algo essencial para o progresso do conhecimento.
         De acordo com Bruno e Mota (Cf., 2001, passim), o aprendizado do braille se defronta com várias dificuldades, como a limitação de pistas visuais (como os desenhos) para o reconhecimento de uma palavra específica, a impossibilidade de visualização de palavras numa oração de imediato e, principalmente, porque a ponta do dedo não substitui o olho, tendo seu alcance limitado em comparação ao campo visual. O deficiente visual reconhece apenas um símbolo por vez, sem contar a fadiga no ato de ler.
         Além do diálogo do educador com o educando sobre situações concretas, é necessário ações para o desenvolvimento de habilidades relacionadas à percepção corporal, à espacial, à discriminação auditiva, à motricidade fina e ampla, bem como a discriminação visual para os indivíduos com baixa visão. A utilização de materiais específicos como reglete e punção, máquina braille, exigem um olhar atento do educador e a importante parceria entre professor de sala comum e especializado.
         Bruno e Mota (2001) afirmam que, por isso, faz-se necessário um trabalho de estimulação contínuo e consistente, no qual áreas importantes necessitam ser aprimoradas, visto que os alunos com deficiência visual podem necessitar de mais tempo na aquisição das habilidades. Na SAAI o período de alfabetização é levado a sério!
Grupo de alfabetização
Nikoly, Vitória, Júlia e Ingrid 


Ingrid (direita) ficou mais feliz e participativa no trabalho em grupo 


Vitória e Júlia
Trabalho de alfabetização e estímulo da visão residual



Bibliografia
BRUNO, MM; MOTA, MGB. Programa de capacitação de recursos humanos do ensino fundamental: deficiência visual. Brasília: MEC/Seesp, 2001. 3 v.
FREIRE, P. Educação e Mudança. Rio de Janeiro. Paz e Terra, 2006 29 edição
MANTOAN, MTE. 2004. Caminhos pedagógicos da inclusão. Disponível em http://www.educacaoonline.pro.br/art_caminhos_pedagogicos_da_inclusão.asp. Capturado em 12/08/2004
______. Ser ou estar, eis a questão: uma tentativa de explicar o que significa défict intelectual. Rio de janeiro: WVA, 1997.
TEBEROSKY, Ana. Aprendendo a escrever. Barcelona: Ática, 1997. 

Reflexão


“A existência da perda da visão, independentemente da sua natureza, constitui por si só uma “barreira à aprendizagem”, exigindo, por isso, um esforço conjunto por parte dos professores e educadores, pais e demais pessoas que convivem com o educando com deficiência visual.”
                                                                      
Fernanda Ladeira

Aniversário Bruna e Vanessa


            Tenho como premissa em minha vida que tudo deve ser comemorado. O simples acordar todos os dias e saber que se está vivo é motivo de alegria e festa.
            Este mês de setembro tivemos dois aniversários: Vanessa e Bruna. De forma muito simples realizamos um café da manhã diferente, com bolo, pão com mortadela, sanduíche de atum e refrigerante. Eles adoraram! Às vezes, precisamos de muito pouco para tornar o ambiente escolar agradável, convidativo e alegre.
            Parabéns Bruna e Vanessa!

Material apresentado no CEU Feitiço da Vila

Apresentei o material que segue no CEU Feitiço da Vila, em 16 de setembro de 2011. Em breve colocarei as fotos do evento.

























Evento CEU Feitiço da Vila

            No dia 16 de setembro realizamos a apresentação de nosso trabalho no CEU Feitiço da Vila. Foi um evento grandioso e lá pudemos apresentar nossas práticas inclusivas.
            Contei aos professores sobre o funcionamento da SAAI e a necessidade de parceria entre o ensino regular e especial. Deixei claro que os ditos de um provérbio africano são essenciais para a construção de uma escola inclusiva. Eis o dito popular:

“É preciso toda uma aldeia para educar uma criança”

Adolescência


O grupo de alunos que ficou responsável pelo Blog tem entre 11 e 13 anos, estão no período da puberdade e início da adolescência. Mesmo possuindo uma deficiência visual, não podemos caracterizá-los como sujeitos semelhantes. Na SAAI, por exemplo, temos a Bruna (baixa visão) que é muito tímida, a Vanessa (baixa visão) calada, o Raphael (cego) que é extremamente esperto e arteiro, o Victor (cego), que é a tranqüilidade em pessoa, a Débora (cega) que é muito afetiva e o Gabriel (baixa visão) que é extremamente meigo e carinhoso. Todos têm em comum a vontade de aprender e de serem integrados de forma verdadeira na sociedade.
     A adolescência é uma fase de transição do desenvolvimento humano, caracterizada por mudanças profundas de ordem física e psicológica e os alunos com deficiência visual não fogem desta regra. Percebo que este grupo começa a se despertar em relação à sexualidade e ao interesse pelo outro.  Um enorme desejo de independência em relação à família e a necessidade explícita de aproximarem-se por grupos com interesses semelhantes também são percebidos.
      Isto explica o porquê de amarem estar na SAAI, é o momento que falam das dificuldades encontradas na sociedade como um todo, de suas limitações e principalmente de suas potencialidades muitas vezes não enxergadas por nós videntes.
A fase da adolescência pode ser mais cheias de desafios para um indivíduo com deficiência visual, pois ele terá que construir uma identidade na qual é obrigado a incluir o fato de possuir uma cegueira ou baixa visão, que dependendo do meio cultural, social e escolar, pode torná-lo alvo de exclusão e discriminação.
             Neste contexto é fundamental que o ambiente social no qual esse jovem convive possa de fato aceitar suas necessidades específicas, buscar informações a respeito de suas características, incentivar a aproximação de vínculos afetivos e sociais, colaborando com a construção de uma auto-estima positiva e verdadeira. Partindo destes princípios, poderão alcançar os objetivos como qualquer jovem de sua idade.
Débora, Gabriel e Raphael em café da manhã especial da SAAI

Inglês

            A professora Creusa, da EMEF Jorge Americano, pediu que eu passasse para o Braille os números em Inglês. Ela tinha realizado a atividade com o Raphael em sala regular e ele fez até o número mil, mas tudo em português.
           Avaliei os alunos e percebi que alguns, mesmo tendo aulas de inglês, escrevem o que ouvem literalmente em nossa língua materna. Por exemplo:


Inglês
Como o aluno escreve
Significado
dog
dogui
cão
one
uam
1
teacher
titier
professor

            Realizei com eles a semana do Inglês. Através de jogos, adaptados as suas necessidades, fomos nos habituando a ouvir e escrever as palavras nesta língua. Os alunos não receberem o livro de inglês em Braille, ou em tipos ampliados, não enxergam a lousa e para o colega ditar a atividade é complicado e lento, entre outras questões.
            É claro que em uma semana ninguém aprende inglês, mas foi uma forma de compreender que não necessariamente o que se ouve é o que deve ser escrito.
            Fizemos várias competições e deu para perceber que tendo o cuidado com a adaptação é possível aprender até mesmo inglês.


O quarto de Van Gogh

Um outro exemplo de atividade que fica difícil de ser realizada sem uma adaptação curricular é a leitura de obras de arte. Bruna estava contando que teve que realizar um trabalho com a tela “O quarto de Van Gogh” e não tinha conseguido entender ou melhor ver nada.
No semestre passado, algumas alunas da Estácio, universidade onde ministro aulas no período da noite, realizaram leituras de obras de arte em relevo. Um dos grupos realizou uma maquete com este quadro. Acabei trazendo para a SAAI e usei devido a necessidade de Bruna.
Na verdade todos acabaram aprendendo um pouco sobre Van Gogh, li sobre sua vida e obra, mostrei o quadro em uma reprodução maior e através da releitura das alunas universitárias em forma de maquete.
Depois descrevemos o que observamos. Este é a descrição da Bruna:

O quarto de Van Gogh tem muitas coisas, quadros pendurados, cadeiras, cama, cobertor, travesseiro, roupas penduradas em cabides na parede, pois ele não tinha guarda-roupa, uma mesa com alguns objetos e espelho. Tem uma janela e por ela o quarto fica iluminado. A cama é de solteiro, ele deveria ser sozinho. Parece ser um quarto bem simples e antigo, mas é bonito.

INSETOS


            A ideia de estudar sobre os insetos partiu da necessidade de uma aluna entender melhor o conteúdo que estava sendo trabalhado em sala regular. Comprei alguns insetos em miniatura e outros foram trazidos pela aluna Débora. O grupo como um todo relatou a dificuldade de entender alguns conteúdos que exigem uma visão mais apurada, a observação de detalhes e o uso de imagens muito pequenas.
            Trabalhar com miniaturas de boa qualidade pode facilitar esta compreensão. Tenho meu acervo próprio de flores, dinossauros, insetos, mamíferos e alimentos. Conforme a necessidade, sempre trago para ser utilizado em sala.
            Todos os grupos gostaram de ver os insetos de forma ampliada e como observei um grande interesse, fui trabalhando o tema conforme a faixa etária e as possibilidades. O grupo de adolescentes, responsáveis pelo Blog, teve a ideia de realizar um telejornal, contando sobre o aprendizado realizado. O grupo de alfabetização realizou a leitura da história “A cigarra e a formiga”, realizaram a interpretação, fizeram listas de palavras e reunimos uma coletânea de músicas que tratam esta temática, como “Borboletinha”, “Eufinda, a borboleta linda”, “Formiguinha”, “Barata”, entre outras. Os alunos com deficiências múltiplas foram à parte externa da escola, sentiram os bichinhos, foram apresentados as miniaturas que os representaram, incentivados a falarem sobre os insetos e também ouviram músicas sobre a temática.
            Como ficou muito interessante e significativo para eles, deixarei os trabalhos expostos na “Festa da Primavera” que ocorrerá no próximo sábado, dia 1° de outubro. Venha nos visitar!
Luis Felipe tateando uma formiga

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Tenho o desejo de realizar uma tarefa importante na vida. Mas meu primeiro   dever está em realizar humildes coisas como se fossem grandes e nobres.
Hellen Keller

DORINA NOWILL

Os estudos referentes ao trabalho pedagógico com deficientes visuais no Brasil nos remetem à lembrança de uma das mais importantes e atuantes figuras do País: Dorina Nowill. A professora Dorina de Gouvêa Nowill nasceu em 1919, em São Paulo. Aos 17 anos, em virtude de uma patologia ocular, que a tornou cega, vivenciou as dificuldades para a continuação de seus estudos, principalmente no que se relacionava à aquisição de materiais em braille.
Apesar das dificuldades, foi a primeira aluna cega a matricular-se em São Paulo em uma escola regular, com alunos videntes, formando-se professora na Escola Caetano de Campos. Ainda como aluna, com a ajuda de alguns amigos, conseguiu que a escola implantasse o primeiro curso de especialização de professores para o ensino de cegos em 1945.
Após diplomar-se, viajou para os Estados Unidos com uma bolsa de estudos patrocinada pelo governo americano e freqüentou um curso de especialização na área de deficiência visual, na Universidade de Columbia, realizando estágios nas principais organizações de serviços para cegos (NOWILL,1999, passim). Em sua obra autobiográfica, a autora conta que nos EUA já havia classes especiais nas escolas comuns para cegos e integração no sistema escolar comum.
Fazíamos estágios nos serviços de educação do governo. Observávamos o que se chamava Classes Braille, hoje Salas de Recursos. Conhecemos todo o trabalho dos professores itinerantes e visitamos escolas públicas onde havia crianças cegas integradas. Fizemos estágios com os professores domiciliares. Orientação e Mobilidade, que se denominava locomoção, começou a surgir nessa época e se desenvolveu na sua forma presente com a criação e desenvolvimento dos processos de reabilitação (Ibid., p. 35).

Alunos realizando a leitura da história infantil sobre Dorina Nowill

A autora relata que naquele momento também já se discutia se o ideal na educação de pessoas cegas era ou não o ensino em escolas especiais ou no ensino integrado, o que ainda causa polêmica nos tempos atuais “Naquela época havia uma disputa entre os integracionistas e pessoas como Frampton, que achavam que a solução do problema era através das escolas residenciais só para cegos (NOWILL,1999, p.36).
Nowill relata que também conhecera “classes de conservação da vista”. Salienta que eram compostas por inúmeros equipamentos e recursos para crianças com visão subnormal, mas que hoje, em virtude dos auxílios ópticos – lentes de todos os tipos e formatos, circuitos fechados de televisão para ampliação de textos –, possibilitam a permanência com qualidade dos indivíduos de visão subnormal, na maior parte do tempo, na classe comum, desde que tenham recebido treinamento na utilização desses auxílios. Muitos conhecimentos foram difundidos a partir dessa época no que se relaciona à baixa visão. Hoje se considera que a criança não deve ter a sua visão preservada e sim estimulada.